31.7.09
De costas
Preciso, em primeiro lugar, dizer que eu sento de costas para a porta. Não que eu queira, ou goste. Mas sento. É incômodo, é terrível, você me diz. Concordo.
O problema é que aqui, no clube onde trabalho (é clube sim, não é empresa - :P ), existe um setor chamado “projetos”. Pois é. O projetos, entre outras atividades (que não sei exatamente quais), é responsável pelo leiaute de cada prédio, setor, sala e e assim por diante.
Então, um belo dia, a fulana e a beltrana resolveram que a mesa da Carol tinha que ficar naquele determinado espaço e ponto. Final, assim mesmo. Sem chance de discussão.
Também preciso dizer que durante um ano inteiro eu pouco me importei com o fato. De verdade. Acontece que, de uns dias pra cá, voltei a ter aquela sensação de borboletas no estômago causada pela simples presença de determinado espécime humano. Ora bolas, cá estou in love, outra vez. Pelo mais canalha, nojento e mal-falado, naturalmente. Aquele cara de quem eu sequer suportava ouvir a voz e com quem fui grossa e estúpida tantas vezes.
Pensando nisso (e em todos os meus affairs passados) percebo que, mais uma vez, a culpa toda é dessa minha personalidade. Escolher a dedo as pessoas erradas é uma boa maneira de me machucar. Se é.
Então, voltando ao assunto, toda vez que ouço a porta abrindo ou passos no corredor, sou obrigada a parar tudo que estou fazendo e, como quem não quer nada, discretamente, dar uma meia-volta na cadeira giratória pra conferir se a criatura não está na área.
Deus, Deus, Deus. Eu nego. Embora todos percebam, eu nego. Duas caronas (ou três) e conversinhas banais não são capazes de me fazer enxergar alguém tão desprezível (?) com outros olhos. Nem de me deixar caidinha por uma pessoa tão... antipática. Muito menos fazer com que eu me sinta assim, servida numa bandeja com uma maçã na boca.
Eu sou a chapeuzinho vermelho que, mesmo sabendo dos perigos, segue a estrada da floresta. No fundo, tudo o que eu quero é ser devorada pelo lobo.
Publicado às 08:49 :: Diga algo, se achar que deve:
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